AMADO BATISTA O CANTADOR DE HISTÓRIAS ( O FRACASSO )

18 de fev de 2013

O fracasso ( Continuação 3 )

 - Periodicamente eu fazia visitas as suas lojas e já na primeira visita nós tornamos amigos. Era como se fôssemos irmãos. Amado era um verdadeiro amigo, honesto, companheiro, ótimo comerciante - revelou Oscar.

 A prova dessa amizade foi Amado convidar Oscar para ser padrinho de casamento. Ele, lógico, aceitou na hora. Como poderia dizer não para seu grande amigo?

 Por muitas vezes, no fim do expediente, Amado, Oscar e mais alguns amigos iam para o hotel no qual Oscar estava hospedado, tomavam banho, descansavam antes do jantar e, depois, Amado pegava o violão e ficava a dedilhar.

 - Foi quando surgiu o " Amado, canta aí para eu dormir" - recordou Oscar aos risos.

 E Amado cantava algumas músicas de seu repertório, repleto de canções de outros cantores, para embalar o sono do amigo.

 - A amizade com Amado deixa muita saudade disse Oscar levemente sentimental.

 Depois que abriu as lojas, Amado passou a ter contato com pessoas influentes e que poderiam tornar o seu sonho realidade.

 Mandava fitas com suas canções para as grandes gravadoras, mas provavelmente ninguém nunca ouviu essas músicas ou, se ouviram, consideraram-nas inadequadas para fazer sucesso.

 Estavam completamente enganados, e Amado tinha um amigo que acreditava nele. Oscar o amigo com todo aquele entusiasmo, disse:

 - Poxa! Você não quer gravar um disco comigo?
 Amado meio sem jeito, por ter mandado suas fitas para as gravadoras em que um dia sonhava gravar, respondeu:

 - Lógico que eu quero gravar um disco com você.
Estava sem jeito para pedir, porque mandei fitas para outras gravadoras e...
 - Que nada! Vamos gravar- interrompeu Oscar.

 E, naquele momento, Amado percebeu que havia alguém que acreditava nele, no seu potencial.

 Como já dizia Reginaldo Sodré: a coisa mais importante para o surgimento de um artista é a crença que se tem nele.

 Radiante de felicidade, Amado Batista viajou para São Paulo, entrou em estúdio e gravou em 1975, o seu primeiro disco de vinil.

 Agora, o problema era escolher um nome artístico para usar. Ambos pensaram, pensaram e pensaram até que Amado decidiu que seria Amado Rodrigues, mas Oscar não concordou e logo propôs:

 - Amado, a partir de hoje você vai se chamar Amado Batista.
 - Ah! mas Amado Batista acho que não pega bem.
 - Pega sim! Você vai se chamar Amado Batista.

 Mal sabiam que o nome escolhido por Oscar seria tão conhecido.

 Era seu primeiro disco, um compacto duplo intitulado Amado Batista, com apenas quatro música três de sua autoria - "Deus", "Naqueles Tempos" e "Layde Mary" - e uma regravação da canção "Chitãozinho e Xororó", de Athos Campos e Serrinha.

 Gravado o vinil, ambos voltaram para Goiânia e foram atrás de locais para fazer o lançamento. Levaram o disco para várias emissoras, inclusive na Festa de Trindade, mas não obtiveram sucesso. O vinil de Amado não tocou em nenhum lugar e não vendeu uma única cópia.

 - Para você ter uma ideia, nem a família comprou - lembra Amado, aos risos.

 Oscar voltou desanimado, não podia acreditar em tal fracasso e pensou consigo mesmo:

 - Poxa! Não consegui tocar nem na Festa de Trindade!

 Foram produzidos aproximadamente mil discos de vinil e, dessa quantidade, nada teria sido vendido se não fosse Amado, que comprou todos eles para sua loja, mas todos ficaram estocados.

 - Ele - referindo-se a Oscar - só gravou um disco meu porque sabia que não ia ter prejuízo - brincou Amado, às gargalhadas.

Oscar ficou inconformado por não ter emplacado Amado no mundo musical. Não conseguia acreditar naquilo. Martins tinha histórico de sucessos. Um deles foi o Trio Parada Dura, conjunto musical sertanejo, que esteve várias vezes nas paradas. E, em 1985, o grupo estourou com a música "As Andorinhas".

 Então surgiu a ideia de levar Amado Batista para se apresentar junto com o Trio em todos os seus shows. Mesmos assim, o dono da gravadora Anhembi & Chororó não conseguiu alcançar o sucesso esperado.

 O disco de Amado foi um fíasco e suas aparições não rendiam muita coisa. Oscar desanimou, será que Amado pensou em desistir?

 Não, não foi bem isso que aconteceu. O cantor não ficou nem um pouco frustado, mas sim motivado a gravar outro vinil, completamente diferente. Então pensou:

 - Se eu gravar um disco como eu desejo, com as músicas que eu quero, talvez eu consiga chegar ao sucesso.

 Era tempo de recomeçar.

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