Amado Batista e a Ditadura Militar

9 de ago de 2012

ruas de SP na época da ditadura
Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Paulo Diniz, são exemplos de cantores e compositores brasileiros, que conhecidamente sofreram na época do militarismo no nosso país; possivelmente, sempre presentes em livros e documentários sobre o assunto, os cinco citados, sofreram desde a censura de canções, a tortura e até o exílio.
Essa prática já antiga, proveniente dos formadores de opinião, tem como principal característica diminuir as figuras populares, e até omitir fatos, prestigiando ainda mais os artistas dito elitistas. Músicos como: Amado Batista, Carlos Alexandre, Odair José, Waldick Soriano e Teodoro & Sampaio, também enfretaram problemas nessa época, porém foram limados dos livros de história, e acabaram não ganhando a alcunha de lutadores ou patriotas.
Nesse texto você vai ter mais detalhes sobre os problemas que Amado Batista enfrentou durante os dias negros da ditadura militar brasileira, problemas esses, que começaram antes mesmo da carreira de cantor iniciar.
Como a maioria sabe, Amado Batista nasceu na zona rural do estado de Goias, anos mais tarde, ele e a família se mudaram pra capital Goiania, Amado teve vários empregos, de catador de papel a alfaiate, de balconista a empresário no ramo de discos, foi exatamente no último emprego como funcionário de alguém, na maior rede de livrarias da cidade, que Amado teve seu primeiro problema com a ditadura militar, o cantor era amigo de pessoas que eram contra o governo ditatorial, e que tinham planos minunciosos para derrubar o sistema, além disso, Amado facilitava por amizade, o acesso dessas pessoas a alguns livros que haviam sido censurados, como os de Che Guevara por exemplo, o que acabou resultando em exatos 59 dias de prisão, no ano de 1972.
Amado e sua mãe, pouco depois de ser solto
A censura também foi um problema, depois de passar por todas as dificuldades, resolver gravar disco, fazer sucesso e se estabilizar no mercado, no ano de 1981 a música "Mascando Chiclete" teve que ser alterada para que pudesse compôr o disco "Um Pouco de Esperança". Em 1984 várias canções do disco "Amado" (apelidado de Casamento Forçado) como por exemplo: "Pequenino Céu", "Você Não Deixou Nosso Filho Nascer", "Acorde Amor (8º Andar)" entre outras, também sofreram censura; na lista também estava "Vitamina e Cura", única música que Amado nao conseguiu alterar a letra, porque nao era uma composição sua, a faixa foi taxada pelos militares como "Sensual Demais", as outras mediante a ajustes, conseguiram entrar para o disco, foi então que nessas coisas do destino, o cantor teve que substituir "Vitamina e Cura" por uma música que viria a ser um dos grandes sucessos de sua carreira "Vem Morena" foi a escolhida. A música considerada sensual demais, só pôde ser lançada no fim da ditadura, exatamente no ano seguinte 1985, único ano em que dois discos foram lançados, Amado havia mudado de gravadora, porém a antiga tinha a faixa inédita, e inteligentemente á colocou no meio de sucessos de outros anos, e lançou como se fosse um disco inédito. Só pra citar, o disco de inéditas do mesmo ano, trouxe o sucesso "Seresteiro das Noites" e é o que mais vendeu até hoje.

*Texto de Jaquisson da Cruz, para a Revista do Brega
que será lançada em 13 dezembro deste ano.

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