Vitamina e Cura – Amado Batista (1986 x 2015) | Comparando Versões #29

No quadro “Comparando Versões”, revisitamos canções que ganharam diferentes interpretações ao longo do tempo, seja por seus próprios compositores ou por outros artistas que se identificaram com a obra.

Desta vez, a comparação é um pouco diferente. Em vez de dois artistas interpretando a mesma canção, vamos acompanhar duas gravações do próprio Amado Batista, feitas em momentos diferentes de sua carreira: “Vitamina e Cura” (1986) e “Vitamina e Cura” (2015).

Mas, antes de comparar as duas versões, é importante conhecer a história que existe por trás dessa música.

O Brasil vivia, desde 1964, sob o Regime Militar, período marcado por repressão política, censura e restrições à liberdade de expressão. Foi nesse contexto que uma das músicas que Amado Batista pretendia gravar acabou sendo retirada de um de seus discos.

Antes de alcançar a fama, Amado Batista também viveu de perto os efeitos daquele período. Enquanto trabalhava em uma livraria, chegou a ser preso por dois meses por facilitar o acesso a livros que haviam sido censurados pelo regime. Essa passagem de sua vida é contada pelo próprio cantor no livro “Amado Batista – O Cantador de Histórias”.

Anos depois, durante a gravação do álbum “Casamento Forçado”, em 1984, Amado Batista preparava um repertório com músicas inéditas. Entre elas estava “Vitamina e Cura”, composição de José Milton do Nascimento e Geraldo Nunes da Silva.

A música foi considerada muito sensual pelos órgãos de censura da época. Como Amado Batista não era o compositor, não poderia simplesmente alterar a letra para atender às exigências apresentadas. A canção acabou ficando fora do álbum e foi substituída por “Vem Morena”.

Com o fim do Regime Militar, em 1985, a situação mudou. Em 1986, Amado Batista finalmente pôde lançar “Vitamina e Cura”, que apareceu como a única faixa inédita de uma coletânea que reunia outros sucessos de sua carreira.

Por estar em uma coletânea, a música acabou não recebendo o mesmo destaque de uma faixa lançada em um álbum totalmente inédito. Com o passar dos anos, o próprio Amado Batista percebeu que a canção era pouco conhecida por seu público, apesar de sua história tão particular.

Foi então que, décadas depois, o cantor decidiu regravar “Vitamina e Cura” para o projeto “Amado Batista 40 Anos”, lançado em 2015. Durante o próprio DVD, Amado comenta a história da censura e compara o conteúdo da música com as letras produzidas em outras épocas.

É essa trajetória que torna esta edição especial do “Comparando Versões”: não estamos apenas ouvindo uma mesma música em dois momentos diferentes, mas acompanhando uma canção que atravessou uma mudança histórica no Brasil e voltou a ser interpretada pelo próprio autor da gravação décadas depois.

1986 x 2015. Duas gravações de Amado Batista, dois momentos de sua carreira e uma história que ajuda a entender por que “Vitamina e Cura” ocupa um lugar tão particular em sua discografia.

🎧 Amado Batista – Vitamina e Cura (1986)

🎧 Amado Batista – Vitamina e Cura (2015)

Vitamina e Cura

Compositores: José Milton do Nascimento / Geraldo Nunes da Silva
Só de te ver acho que vale a pena
Ai de você se eu te puser as mãos
Este teu corpo de pele morena
Me envenena de excitação

Eu tô que tô e ninguém me segura
Tô muito louco tô de alto astral
Você é minha vitamina e cura
Minha mistura de bem e de mal

Meu coração bate mais excitado
Meu corpo vibra de tanto querer
O teu pedaço de amor e pecado
É o bocado que eu quero comer

A história de “Vitamina e Cura” vai muito além da comparação entre duas gravações. A canção representa um momento particular da carreira de Amado Batista e também registra os efeitos da censura sobre sua produção musical durante o Regime Militar.

Lançada oficialmente em 1986, a música ganhou uma nova interpretação quase três décadas depois, quando Amado Batista decidiu regravá-la para o projeto “Amado Batista 40 Anos” (2015).

🎧 Ouça o disco onde foram lançadas as duas versões:
Vitamina e Cura – 1986   |   40 Anos – 2015


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